A esquerda não quer continência. Tem que ser punho cerrado
Era tudo o que a esquerda e a patrulha ideológica não queriam: atletas prestando continência! A esquerda gostaria que fosse como em 1968, quando, na Olimpíada daquele ano, Tommie Smith e John Carlos ergueram os punhos cerrados fazendo alusão ao movimento Black Power. Gostariam que os vencedores dissessem “Fora Temer” ou que manchassem suas carreiras com gritos histéricos de protestos por qualquer coisa, mas não é isso que vem acontecendo.
Se os atletas levantassem seus punhos cerrados por qualquer causa que seja, a esquerda já teria tomado para si o gesto, teria dito ser esta uma atitude digna de esportistas que tanto lutaram para chegar aonde chegaram, mas, de novo, não é isso que vem acontecendo.
Mas e quando alguns deles, com muita honra, prestam continência? Por que tal gesto gera “polêmica”? Por que é preciso explicar tanto quando o gesto não representa a esquerda? Qual seria a explicação caso o gesto fosse não de continência, mas de um punho cerrado? resistência ? Se sim, a quê? Enfim, para o azar da patrulha ideológica que em tudo vê fascismo ou apologia à tortura, eis mais um fenômeno áspero: os atletas, muitos deles vindos de famílias pobres, prestam continência em vez de levantarem os punhos cerrados.
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